terça-feira, 30 de março de 2010

escreverei a vermelho quando voltarmos ao primeiro dia

quando a noite desce nem a geografia justifica isto
isto?
sim, is t o.

sábado, 27 de março de 2010

s/t

há um dia finalmente em que os dedos descansam sobre o teu corpo e tocam as teclas exactas do coração onde dói onde dói onde há feridas abertas, demasiado expostas às intempéries, demasiado expostas ao sal das lágrimas, cansadas do vermelho do sangue eterno, cansadas de serem sozinhas num corpo abandonado num corpo abandonado por quem o preenche dia após dia hora após hora. num corpo abandonado por quem o acorda as manhãs e o veste para ir à rua e lhe esboça sorrisos, por quem lhe limpa as lágrimas por quem lhe põe o lápis recto perfeito ou não sobre os olhos redondamente meigos onde o mundo gira gira gira e tem uma só cor que são muitas.

conversas ocasionais e cibernáuticas

c -
oh
acho que este mundo não é para mim
z -
se o mundo não é para ti
então tu és para o mundo



no fundo, é abstracta em mim a certeza de que o mundo é o lugar onde respirar.

sábado, 20 de março de 2010

A lápis

desenhei hoje intencionalmente uma cidade onde fosse possível ser eu a rua que os teus pés beijam todas as manhãs.

quinta-feira, 18 de março de 2010

superação da distância, estudo primeiro

--- -------------- - a saudade é um buraco no calendário.


i
ii
iii
ii

fazermos nascer. como árvores. a vida.




-- há dois hífenes. o do amor e o outro.


---------------- --------------- a saudade é um buraco no tempo.


eu amo-te.



----------------------------------- a eternidade é descontínua?





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amote.

terça-feira, 16 de março de 2010

notas para o frigorífico

1. és em mim um lugar mal situado onde todos os sonhos infantilmente anacrónicos voltam a ganhar sentido enquanto o meu coração envelhece ao som do silêncio.

2. para chegar ao teu centro gravitacional, não iria eu nunca de carro - quero deixar-te pegadas lentas.

3. se quiseres faço de ti um dia a minha capital.

domingo, 14 de março de 2010

passou quase um mês desde a última letra

sei agora que o modo único de chegares é estar
à tua espera, estar. conjugar-te para o futuro,
como se fosses um verbo no tempo correcto.