é como se tivesse uma máquina de escrever,
a viver dentro de mim e eu nem sei bem onde.
às vezes ela usa as mesmas palavras muitas vezes,
repete repete repete.
como se os poemas fossem canções que embalam,
como se os versos fossem ondas e a nossa casa estivesse
quase dentro do mar.
somos tão cíclicos quanto a vida.
não. espirálicos, eu não sei dizer em espiral -
era essa a ideia.
olha, quase como se fosses música, olha
é isto o que sinto continuamente continuamente
e como espiral cresce cresce e aumenta, aumenta tanto.
olha, olha agora porque eu tenho medo de passares tempo
demais a olhar para mim e que repares
pausa para eventual respiração
como eu gosto de ti precocemente, antes sequer do amanhecer.
gosto de ti, ?. é anterior ao nome. gostar de ti antes de saber dar-te
um nome é. bolas. poético? ouve:
Enquanto o teu cigarro arde lenta
e( )ternamente, eu desejo que os
meus lábios sejam
a última morada
das tuas palavras de amor.
A cumplicidade é
talvez saber, sem hesitar,
a textura do teu coração e o timbre exacto
com que me dizes
bom dia.
E embora eu não me recorde,
com exactidão,
da temperatura dos teus acordes,
Intimamente sei-os de cor.
Sei que os oiço, fecho os olhos
enquanto pousas os teus em mim.
Tenho a certeza da tua forma de pegar na guitarra e sei
milimetricamente
a distância que nos separa.
A proximidade
é seres o cheiro do ar que respiro
e eu ter a forma do nosso abraço.
E a nossa casa,
meu amor,
somos nós.
ouve: faz tanto eco, é como se nunca chegasse
ao fim. ouve: faz eco, é como se chegasse ao fim.
ouve: eco, é como o fim. ouve: é como o fim. ouve: é
o fim. ouve: o fim. ouve-o.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
i'm giving it to someone special.
um bocadinho mais, um minutinhoo mais.
uma mensagem à hora certa, enquanto nasces comigo
e eu não quero dar nome,
os nomes são caixas que se fecham cedo demais.
i'm (really) giving it to someone special.
uma mensagem à hora certa, enquanto nasces comigo
e eu não quero dar nome,
os nomes são caixas que se fecham cedo demais.
i'm (really) giving it to someone special.
domingo, 20 de dezembro de 2009
intervalos de 5ª maior
O tempo que gastamos à procura dos
dias certos e das certezas entre as horas das
manhãs da consciência
Haverá por certo um compasso a que bata o teu coração
e que possa eu tocar ou dizer
ou sentir com o mesmo ritmo e com
a mesma ternura com que te desenho
As mãos às minhas dadas e
fazemos laços em vez de
claves de sol
As notas tuas serão talvez
A tua voz a aquecer-me o corpo
como se entre nós o único mês fosse
Agosto e o sol não chegasse ao
fim nunca e juntos capazes
fossemos de desmentir ciências e provar a harmonia que
há em sermos feitos em diferentes
Escalas.
dias certos e das certezas entre as horas das
manhãs da consciência
Haverá por certo um compasso a que bata o teu coração
e que possa eu tocar ou dizer
ou sentir com o mesmo ritmo e com
a mesma ternura com que te desenho
As mãos às minhas dadas e
fazemos laços em vez de
claves de sol
As notas tuas serão talvez
A tua voz a aquecer-me o corpo
como se entre nós o único mês fosse
Agosto e o sol não chegasse ao
fim nunca e juntos capazes
fossemos de desmentir ciências e provar a harmonia que
há em sermos feitos em diferentes
Escalas.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
desej-arte.
há uma fragmentação possível no teu tempo onde eu encaixe como encaixo em ti quando não tens pressas e quando a tua sombra se esquece de te adiantar os passos para longe. há um lugar possível onde se pare o tempo e o tempo pare e os ponteiros dos relógios se espreguicem e amanheçam devagar. há dias em que acordo de manhã e as nuvens me parecem todos os nossos sonhos e o céu não me parece nada além do céu e no entanto sei que quero chegar lá contigo de novo de novo de novo. saber a temperatura do ar que respirar. se o amor for quente podemos andar de balão, se não havemos de aprender a voar. eu às tuas cavalitas, numa viagem. e a mochila não em lado nenhum tudo o que preciso está em ti e tu em mim que pieguice é assim amar. põe pontuação, é preciso respirar mesmo quando estou contigo e parece que o ar não chega porque o amor sobe. o amor começa nos pés, começa na ponta dos dedos quando tocam o teu chão ou quando te pisam e depois sobe e os joelhos tremem e depois sobe sobe e dói-me a barriga como se fosse uma dor boa e depois é no peito, no coração e a pior espécie de amor é o amor consciente, que parece irremediavelmente apetecível quando eu não sei quando, eu não sei quando é que o sempre acontece. acrescenta o para. o para sempre. o meu amor por ti começa a estar entre os meus caracóis. na cabeça, era isso. gosto de ti conscientemente, por impulso linear e decisão ponderada.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
4:14, aproximadamente
se me acordas com a tua voz eu sinto falta do teu corpo há um beijo a meio da noite, sim, mas nem sempre ou quase nunca chega eu quero-te mais quando sinto a tua falta. é a falta que me leva a ti quando os meus dedos te esperam presos à campainha e tenho palavras de amor a crescer-me na boca e a sede a sede a sede de te ter entre os meus braços e de te ouvir no lugar comum que é o silêncio dos apaixonados. o que é isso paixão - é isto. chega-te mais perto e repara em mim como se olhasses para dentro do teu corpo e me visses dentro do teu coração. repara em mim como se fosse o teu lugar mais quente, ou até o teu único lugar quente ou mesmo se me quiseres ver sorrir repara em mim como se não fosse nenhum lugar, como se não me distinguisses do mundo. como se esse limiar que me separa do mundo fosse tão absurdo e te pudesses lançar até mim como eu quero um dia lançar-me de um abismo até ti. preciso que me acordes com a tua voz para ouvir as minhas palavras de amor. deixo um beijo. ou beijinho. eu amo-te. era isto que te queria dizer. mas deixo só um beijo.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Precoces
E eu em frente de ti fico muda e o meu corpo eu não sei
mas perco a sintaxe, do corpo. Talvez devesse saber melhor,
os lugares de mim. Percebes?
É como quando conheces bem Espanha mas nunca foste sei lá
ao porto. Ou nunca viste o sol nascer no alentejo.
Eu também nunca vi o sol nascer em ti. O reflexo do sol
nos teus olhos. O nascer nos teus olhos. Nunca reparei
quanto tempo demoras a abrir os olhos, de manhã. Nem sei
como, não sei quanto. Tempo. Olha, sabes, nem sei há quanto
tempo gosto de ti.
Não sei o amor. Acontece de manhã.
Eu não uso relógio. Quando é de manhã, eu não sei.
Eu acordo-te. Eu quero ver-te acordar.
mas perco a sintaxe, do corpo. Talvez devesse saber melhor,
os lugares de mim. Percebes?
É como quando conheces bem Espanha mas nunca foste sei lá
ao porto. Ou nunca viste o sol nascer no alentejo.
Eu também nunca vi o sol nascer em ti. O reflexo do sol
nos teus olhos. O nascer nos teus olhos. Nunca reparei
quanto tempo demoras a abrir os olhos, de manhã. Nem sei
como, não sei quanto. Tempo. Olha, sabes, nem sei há quanto
tempo gosto de ti.
Não sei o amor. Acontece de manhã.
Eu não uso relógio. Quando é de manhã, eu não sei.
Eu acordo-te. Eu quero ver-te acordar.
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