terça-feira, 14 de setembro de 2010
pássaro
ela quando fala de ti sente-se um pássaro tem metros quadrados íntimos e aquece a distância pouca que vais subindo. o teu nome é um vento bom que faz crescer água na boca e às vezes faz nascerem flores no coração. o teu nome é comprido e ela quer escrevê-lo inteiro nos cantos do corpo, quer guardá-lo dentro das pálpebras. ela quer andar contigo no baloiço, dias felizes outros não, o amor é esse calendário difícil e trezentos e sessenta e cinco dias, a falta um dia de palavras, ela quer aprender o teu silêncio, saber de cor os teus pulmões tactear o teu rosto às escuras. encontrar a tua boca, fechar os olhos, dar-te um beijo, apertar-te contra o peito e voar. o amor é esse sangue que corre rápido. antes de ti, a felicidade dela era um segredo. ela quando fala de ti sente-se um pássaro tem metros quadrados íntimos e faz do mundo a primeira morada contigo.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
falta de ar
a avidez da procura constante e permanente o não saber dizer este amor que cresce e se disfarça de outros monstros deste amor que aumenta a dificuldade da geografia do peso dos dias do nevoeiro entre os cabelos de querer os teus dedos no meu corpo os lugares comuns do amor e os criativos da paixão escritos ou fotografados ou desenhados ou retratados de os querer tanto mais e tão pouco além do quotidiano lavarmos os dentes no mesmo copo e não deixar de gostar de como imagino que te babes a dormir eu invento histórias contigo invento te a acordar de manhã ao meu lado e os meus braços estão dentro do teu corpo quente quando eu me deito sou eu quem te beija de manhã sou eu quem te beija sou eu quem te beija querer-te como mais que do que história querer-te como mais do que histórias querer-te para lá da imaginação querer-te real preciso de ti não personagem dizer-te que eu actriz não serei nunca preciso de ser eu sem querer e querer-te com coragem de escrever o teu nome querer-te com a coragem quotidiana de dividirmos contas de dividirmos vidas de partilharmos a fatia do mesmo bolo preferido de dizer que isto é amor de te chamar amor de contar ao meu pai e de dizer à minha mãe que tenho um namorado de andarmos de mãos dadas na rua onde eu moro e de me dares um beijo na boca à porta da tua casa
quarta-feira, 28 de abril de 2010
tê zero
quero só ser a tua casa, embora tenha às vezes ainda medo que percas essa chave.
embora os teus corredores sejam ainda labirintos meus e a minha cave tenha sempre demasiado pó. podes espirrar se eu falar de amor. guardo-o na cave, não visito muitas vezes porque desde miúda tenho medo de caves. o amor é um monstro e é só por isso que eu tenho medo de estar contigo às escuras. ainda somos de cristal, ainda temos medo, ainda somos de cristal. eu preciso de te tactear às escuras, eu preciso preciso que te falte a luz.
embora os teus corredores sejam ainda labirintos meus e a minha cave tenha sempre demasiado pó. podes espirrar se eu falar de amor. guardo-o na cave, não visito muitas vezes porque desde miúda tenho medo de caves. o amor é um monstro e é só por isso que eu tenho medo de estar contigo às escuras. ainda somos de cristal, ainda temos medo, ainda somos de cristal. eu preciso de te tactear às escuras, eu preciso preciso que te falte a luz.
sábado, 24 de abril de 2010
Versão provisória de um primeiro discurso libertador acerca da liberdade
Houvesse dias do calendário ou de vidas que pudéssemos escolher habitar, transitória ou eternamente, e eu escolheria morar, um só minuto, dentro do caule de um cravo, antes pela poesia, não pela revolução.
O 25 de Abril é, em mim, sobretudo uma miragem poética, um lugar que se foi fazendo vazio até nas memórias. Um tiro seco de uma espingarda sem balas, que de tão pouco ferir, fez vermelha apenas a cor dos cravos. Um dia reproduzido nos manuais das histórias, nos eternos iguais colóquios que brotam um pouco por todo o país, nas flores nascidas nas algibeiras dos homens que entretanto aprenderam a vestir fatos, no encolher de ombros quotidiano e no roncar das consciências adormecidas.
Hoje, o 25 de Abril é um dia. Carinhosa ou caridosamente doado àqueles que continuam a viver numa utópica primavera sempre florida. Um dia doado a esses. Um dia, por isso mesmo, especial. O 25 de Abril é também um lugar social que se fez feriado e sobre o qual se constroem pontes que nos levam a tantos outros países, pontes que nos levam, afinal, para longe de quem somos.
Resta, por isso, do sonho dos capitães de Abril esta vontade de comemorar apenas a data. Resta também um estar político que, regendo ainda a nossa sociedade, temos todos vindo a desvirtuar, a pouco e pouco.
Porque a liberdade não se escreve só nas leis, nem nos jornais, muito menos nos dicionários ou nos manuais de Filosofia. A liberdade ultrapassa as metáforas e a literatura, invade o quotidiano de gente como nós: consciente de que a sociedade é esta galáxia, onde as pessoas se atraem, por serem feitas de matéria semelhante, moldada de uma forma sempre tão diferente. Nesta nossa galáxia, também os corpos gritam por espaços entre eles, porque é pela compreensão da distância que nos mantemos vivos. Nesta nossa galáxia, os dias são trezentos e sessenta e cinco, às vezes seis, e eu não hesito em considerar que da madrugada de todos eles deveria invariavelmente nascer a Liberdade.
Mais do que um regime político democrático, que dá ou pretende dar, lugar às liberdades de cada um, mais do que o revivalismo precário, às vezes quase patético, mais do que um mero feriado nacional, mais do que uma data nas cronologias de história, mais do que uma entrada nas enciclopédias, mais do que uma imagem idílica, mais do que um lugar na memória.
O 25 de Abril pede-nos uma homenagem que não é escrita, que não é falada, que não é cantada, nem dramatizada, nem debatida. O 25 de Abril exige-nos a responsabilidade de habitar este Mundo por vontade e com consciência absoluta da sociedade que partilhamos. O 25 de Abril pede praticabilidade quotidiana, pede exercício activo da cidadania, pede respeito incontestável pelas pessoas, pede consciência de quem somos e das nossas acções, pede ponderação. O 25 de Abril pede, fundamentalmente, uma capacidade democrática avassaladora de todos e de cada um, que se faça sentir até em silêncio e um sentido profundo de liberdade colectiva, que germine nas ruas e não na História.
Este dia não é uma data, este dia é um povo que, hoje, finalmente, voltará a escrever a vermelho.
O 25 de Abril é, em mim, sobretudo uma miragem poética, um lugar que se foi fazendo vazio até nas memórias. Um tiro seco de uma espingarda sem balas, que de tão pouco ferir, fez vermelha apenas a cor dos cravos. Um dia reproduzido nos manuais das histórias, nos eternos iguais colóquios que brotam um pouco por todo o país, nas flores nascidas nas algibeiras dos homens que entretanto aprenderam a vestir fatos, no encolher de ombros quotidiano e no roncar das consciências adormecidas.
Hoje, o 25 de Abril é um dia. Carinhosa ou caridosamente doado àqueles que continuam a viver numa utópica primavera sempre florida. Um dia doado a esses. Um dia, por isso mesmo, especial. O 25 de Abril é também um lugar social que se fez feriado e sobre o qual se constroem pontes que nos levam a tantos outros países, pontes que nos levam, afinal, para longe de quem somos.
Resta, por isso, do sonho dos capitães de Abril esta vontade de comemorar apenas a data. Resta também um estar político que, regendo ainda a nossa sociedade, temos todos vindo a desvirtuar, a pouco e pouco.
Porque a liberdade não se escreve só nas leis, nem nos jornais, muito menos nos dicionários ou nos manuais de Filosofia. A liberdade ultrapassa as metáforas e a literatura, invade o quotidiano de gente como nós: consciente de que a sociedade é esta galáxia, onde as pessoas se atraem, por serem feitas de matéria semelhante, moldada de uma forma sempre tão diferente. Nesta nossa galáxia, também os corpos gritam por espaços entre eles, porque é pela compreensão da distância que nos mantemos vivos. Nesta nossa galáxia, os dias são trezentos e sessenta e cinco, às vezes seis, e eu não hesito em considerar que da madrugada de todos eles deveria invariavelmente nascer a Liberdade.
Mais do que um regime político democrático, que dá ou pretende dar, lugar às liberdades de cada um, mais do que o revivalismo precário, às vezes quase patético, mais do que um mero feriado nacional, mais do que uma data nas cronologias de história, mais do que uma entrada nas enciclopédias, mais do que uma imagem idílica, mais do que um lugar na memória.
O 25 de Abril pede-nos uma homenagem que não é escrita, que não é falada, que não é cantada, nem dramatizada, nem debatida. O 25 de Abril exige-nos a responsabilidade de habitar este Mundo por vontade e com consciência absoluta da sociedade que partilhamos. O 25 de Abril pede praticabilidade quotidiana, pede exercício activo da cidadania, pede respeito incontestável pelas pessoas, pede consciência de quem somos e das nossas acções, pede ponderação. O 25 de Abril pede, fundamentalmente, uma capacidade democrática avassaladora de todos e de cada um, que se faça sentir até em silêncio e um sentido profundo de liberdade colectiva, que germine nas ruas e não na História.
Este dia não é uma data, este dia é um povo que, hoje, finalmente, voltará a escrever a vermelho.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
A ti, peter
Um desejo súbito, somente um desejo súbito e inesperado de vincar os pés nas ruas onde os nossos passos se desfazem. Um desejo súbito de encontrar o caminho tropeçando em frente, como se nos fundíssemos com as trajectórias imaginárias que um dia a Sininho deu à Wendy e aos seus irmãos sem nome.
É afinal uma vontade, uma só vontade repentina de te escrever cartas, Peter, de te desenhar mapas dos lugares possíveis em mim e de colar recados meus no nosso frigorífico infantil. Os recados, achei eu um dia ao amanhecer que eram como erupções das manhãs descontentes em que inexplicavelmente acordámos dessincronizados. Talvez até longe dos voos nocturnos. O sentido íntimo das coisas é apenas nocturno, o sentido íntimo são os voos negros dos corvos pousados sobre o pesadelo da tua ausência pontual. Trazes-me sonhos na algibeira, sonhos como o calor entre as asas cruas, tão negras, tragicamente tão macias e pousadas sobre o parapeito da minha janela.
Gostava que fosses a janela do meu quarto. De aprender de ti o mundo lá fora e de às vezes seres quase o meu espelho. Gostava que fosses o meu casulo. De poder chamar-te casa, porque não sei o teu nome de verdade nem o quero aprender. Quando me deres finalmente a mão eu vou calçar-te ténis azuis, Peter, como faria azul o chão do meu quarto e os dias do meu calendário. E vou desejar secretamente que tenhas sempre sonhos nas tuas raízes e que partilhemos eternamente esse lugar da Terra onde talvez cresças ou talvez tenhas sabido não crescer, um dia.
É afinal uma vontade, uma só vontade repentina de te escrever cartas, Peter, de te desenhar mapas dos lugares possíveis em mim e de colar recados meus no nosso frigorífico infantil. Os recados, achei eu um dia ao amanhecer que eram como erupções das manhãs descontentes em que inexplicavelmente acordámos dessincronizados. Talvez até longe dos voos nocturnos. O sentido íntimo das coisas é apenas nocturno, o sentido íntimo são os voos negros dos corvos pousados sobre o pesadelo da tua ausência pontual. Trazes-me sonhos na algibeira, sonhos como o calor entre as asas cruas, tão negras, tragicamente tão macias e pousadas sobre o parapeito da minha janela.
Gostava que fosses a janela do meu quarto. De aprender de ti o mundo lá fora e de às vezes seres quase o meu espelho. Gostava que fosses o meu casulo. De poder chamar-te casa, porque não sei o teu nome de verdade nem o quero aprender. Quando me deres finalmente a mão eu vou calçar-te ténis azuis, Peter, como faria azul o chão do meu quarto e os dias do meu calendário. E vou desejar secretamente que tenhas sempre sonhos nas tuas raízes e que partilhemos eternamente esse lugar da Terra onde talvez cresças ou talvez tenhas sabido não crescer, um dia.
sábado, 3 de abril de 2010
Cinematografia I
A: Não quero desaparecer por detrás de ti.
B: Se estiveres a desaparecer por detrás de mim eu fico transparente. Vou querer sempre que as pessoas te vejam e nunca como parte de mim. Eu gosto de ti, de quem és.
A: Nunca mo soubeste dizer.
B: Hoje digo, não assino.
A: Nunca mo soubeste dizer, porquê?
B: Porque tenho medo.
A: Nunca, porquê?
B: Medo.
(A e B talvez se beijem)
B: Se estiveres a desaparecer por detrás de mim eu fico transparente. Vou querer sempre que as pessoas te vejam e nunca como parte de mim. Eu gosto de ti, de quem és.
A: Nunca mo soubeste dizer.
B: Hoje digo, não assino.
A: Nunca mo soubeste dizer, porquê?
B: Porque tenho medo.
A: Nunca, porquê?
B: Medo.
(A e B talvez se beijem)
terça-feira, 30 de março de 2010
escreverei a vermelho quando voltarmos ao primeiro dia
quando a noite desce nem a geografia justifica isto
isto?
sim, is t o.
isto?
sim, is t o.
sábado, 27 de março de 2010
s/t
há um dia finalmente em que os dedos descansam sobre o teu corpo e tocam as teclas exactas do coração onde dói onde dói onde há feridas abertas, demasiado expostas às intempéries, demasiado expostas ao sal das lágrimas, cansadas do vermelho do sangue eterno, cansadas de serem sozinhas num corpo abandonado num corpo abandonado por quem o preenche dia após dia hora após hora. num corpo abandonado por quem o acorda as manhãs e o veste para ir à rua e lhe esboça sorrisos, por quem lhe limpa as lágrimas por quem lhe põe o lápis recto perfeito ou não sobre os olhos redondamente meigos onde o mundo gira gira gira e tem uma só cor que são muitas.
conversas ocasionais e cibernáuticas
c -
oh
acho que este mundo não é para mim
z -
se o mundo não é para ti
então tu és para o mundo
no fundo, é abstracta em mim a certeza de que o mundo é o lugar onde respirar.
oh
acho que este mundo não é para mim
z -
se o mundo não é para ti
então tu és para o mundo
no fundo, é abstracta em mim a certeza de que o mundo é o lugar onde respirar.
sábado, 20 de março de 2010
A lápis
desenhei hoje intencionalmente uma cidade onde fosse possível ser eu a rua que os teus pés beijam todas as manhãs.
quinta-feira, 18 de março de 2010
superação da distância, estudo primeiro
--- -------------- - a saudade é um buraco no calendário.
i
ii
iii
ii
fazermos nascer. como árvores. a vida.
-- há dois hífenes. o do amor e o outro.
---------------- --------------- a saudade é um buraco no tempo.
eu amo-te.
----------------------------------- a eternidade é descontínua?
________________________________________________________________________________
amote.
i
ii
iii
ii
fazermos nascer. como árvores. a vida.
-- há dois hífenes. o do amor e o outro.
---------------- --------------- a saudade é um buraco no tempo.
eu amo-te.
----------------------------------- a eternidade é descontínua?
________________________________________________________________________________
amote.
terça-feira, 16 de março de 2010
notas para o frigorífico
1. és em mim um lugar mal situado onde todos os sonhos infantilmente anacrónicos voltam a ganhar sentido enquanto o meu coração envelhece ao som do silêncio.
2. para chegar ao teu centro gravitacional, não iria eu nunca de carro - quero deixar-te pegadas lentas.
3. se quiseres faço de ti um dia a minha capital.
2. para chegar ao teu centro gravitacional, não iria eu nunca de carro - quero deixar-te pegadas lentas.
3. se quiseres faço de ti um dia a minha capital.
domingo, 14 de março de 2010
passou quase um mês desde a última letra
sei agora que o modo único de chegares é estar
à tua espera, estar. conjugar-te para o futuro,
como se fosses um verbo no tempo correcto.
à tua espera, estar. conjugar-te para o futuro,
como se fosses um verbo no tempo correcto.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
II'
o inverno era lá fora. entre nós fazia-se o calor das palavras. chegaste bem, era isso. é mais do que isso na verdade, quero adormecer a sorrir contigo e ir perdendo as horas a pouco e pouco enquanto te oiço. de inutilidades, de coisas, quotidianas talvez, eu não sei, e cantaste, do tempo também. de como saber as horas de uma relação, relógios, o pulso, medo, não. sim, no fundo absolutamente nada no mundo mais tentador do que negar a palavra certa para dizer eu gosto, de ti. estava sentada, ao teu colo, tenho disso a certeza embora estivesse deitada entre os lençóis, estás presente. a estranheza do teu lugar na minha vida, gosto. eu gosto, de ti. não gostei se não do amor que foram tendo por mim. de ti eu gosto. deixei arrumado, engomado, o coração numa gaveta branca a cheirar a lírios. leva-me a essa primavera, quero falar-te de mim. preciso de te contar uma história, cátia. sim. eu leio bem a tua voz. desenhas estradas no meu corpo e eu não soube sempre, é a verdade, percorrer. o frio pela primeira vez, o inverno era lá fora. entre nós neva, entre nós neva agora. eu nunca tinha visto neve, nem os dedos roxos, a boca presa à última sensação de calor e todas as frases geladas. fecho as mãos, o amor entre elas, não soube. recuso apenas a dizer o que pode ser dito. da noite, os cantos longínquos dos voos nocturnos e sobretudo a tua história. soubesse eu dizer-te a temperatura da minha pele quando vi pela primeira vez neve tua, foi difícil para mim. de mim ainda não viste neve, eu sei. uma palavra minha, queria eu restituir a imensidão tua. não soube dizer, pela primeira vez eu não soube. dizer, junto ao coração eu colho os lírios, para te entregar.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
rain's falling.
A: é engraçado. as janelas.
B: engraçado?
A: vemos o mundo, mas também nos vemos.
B: a algumas horas.
A: não suportaria ver-me o dia todo,
B: um dia hás-de reparar em ti.
A: olha,
B: a chuva, lá fora. já vi.
A: para dentro.
B: não.
A: é como se chovesse e fizesse frio.
B: vais fazer um chá?
A: vou buscar um casaco para o meu coração.
B: não vás, eu amo-te.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
I'
quando chorar eu quero que as minhas lágrimas desafiem as leis da gravidade e que o meu coração,
quando crescer eu quero ter um coração. mãe, quantos cabem no meu corpo?
se eu pudesse eu tinha vários corações.
se eu pudesse eu tinha o teu coração.
e os nossos eram vizinhos de temperatura, de calor.
eu quero saber a cor do teu sorriso quotidiano e do de fim-de-semana.eu tenho vários sorrisos, por dentro e por fora.
eu tenho vários sonhos.
eu sou várias pessoas, nunca te disse que o meu nome...
nunca te disse o meu nome.
ainda assim eu oiço quando me chamas porque o teu ar tem a textura dos meus dedos.
e eu tenho a tua voz entre ambas ternamente, guardo como tu peter quando perdeste a sombra alguém ta guardou ,coso-a aos teus lábios como alguém peter ta coseu aos pés. e espero como a wendy nunca chegou a esperar eu espero que me digas nunca espero que respires e que eu te sinta a voz a tocar-me os lábios.
as palavras não as quero.
se um dia me deres nome, entrega-mo num envelope que saiba à tua saliva para que eu possa sempre beijar-te as letras.
quando frio fizer lá fora hei-de cobrir as tuas letras com lãs de inverno e esconder-te poemas entre os novelos.
não te preocupes com a felicidade. todas as manhãs,
como se fosse um fenómeno meteorológico expectável, todas as manhãs a felicidade acontece nas canecas de chá embaciado nos teus óculos.
deixa-me desenhar um coração e não digas nada, não digas nada. não é preciso nenhum som para me levar um beijo à tua boca.
fechamos os olhos.
eu abro às vezes, os meus porque gosto de te ver pensar em mim com a luz apagada.
olha, eu quando estou feliz choro para cima.
eu quando estou feliz rio-me. e tu?
recomeçamos: quando eu estou feliz e tu - rio-me. quando eu e tu fechamos a porta do carro e viajamos e não sabemos nunca se chegamos se partiremos de novo se a voltaremos a fechar, e não sabemos. não sabemos quando.
somos felizes
por isso: porque ainda não trancámos nunca as portas.
meu amor
quando crescer eu quero ter um coração. mãe, quantos cabem no meu corpo?
se eu pudesse eu tinha vários corações.
se eu pudesse eu tinha o teu coração.
e os nossos eram vizinhos de temperatura, de calor.
eu quero saber a cor do teu sorriso quotidiano e do de fim-de-semana.eu tenho vários sorrisos, por dentro e por fora.
eu tenho vários sonhos.
eu sou várias pessoas, nunca te disse que o meu nome...
nunca te disse o meu nome.
ainda assim eu oiço quando me chamas porque o teu ar tem a textura dos meus dedos.
e eu tenho a tua voz entre ambas ternamente, guardo como tu peter quando perdeste a sombra alguém ta guardou ,coso-a aos teus lábios como alguém peter ta coseu aos pés. e espero como a wendy nunca chegou a esperar eu espero que me digas nunca espero que respires e que eu te sinta a voz a tocar-me os lábios.
as palavras não as quero.
se um dia me deres nome, entrega-mo num envelope que saiba à tua saliva para que eu possa sempre beijar-te as letras.
quando frio fizer lá fora hei-de cobrir as tuas letras com lãs de inverno e esconder-te poemas entre os novelos.
não te preocupes com a felicidade. todas as manhãs,
como se fosse um fenómeno meteorológico expectável, todas as manhãs a felicidade acontece nas canecas de chá embaciado nos teus óculos.
deixa-me desenhar um coração e não digas nada, não digas nada. não é preciso nenhum som para me levar um beijo à tua boca.
fechamos os olhos.
eu abro às vezes, os meus porque gosto de te ver pensar em mim com a luz apagada.
olha, eu quando estou feliz choro para cima.
eu quando estou feliz rio-me. e tu?
recomeçamos: quando eu estou feliz e tu - rio-me. quando eu e tu fechamos a porta do carro e viajamos e não sabemos nunca se chegamos se partiremos de novo se a voltaremos a fechar, e não sabemos. não sabemos quando.
somos felizes
por isso: porque ainda não trancámos nunca as portas.
meu amor
domingo, 24 de janeiro de 2010
o amor é um lugar estranho
A: quero ter sempre urgência de ti, urgência em ver-te chegar.
B: sei quando gosto de alguém ao fechar os olhos.
A: eu sei o sabor dos teus passos, a inclinação exacta da cabeça sobre o chão, o olhar curvilíneo. gosto de reparar em ti, sabias? de me demorar nos teus sinais e de imaginar histórias para todas as tuas cicatrizes.
B: estás maquilhada?
A: sim, os olhos.
B: posso olhar para ti até te cansares.
A: não me vou cansar.
B: até ao Sol se pôr, então.
A: vou olhar para ti até a lua nascer.
B: se for lua nova?
A: é como se fosse para sempre.
B: sei quando gosto de alguém ao fechar os olhos.
A: eu sei o sabor dos teus passos, a inclinação exacta da cabeça sobre o chão, o olhar curvilíneo. gosto de reparar em ti, sabias? de me demorar nos teus sinais e de imaginar histórias para todas as tuas cicatrizes.
B: estás maquilhada?
A: sim, os olhos.
B: posso olhar para ti até te cansares.
A: não me vou cansar.
B: até ao Sol se pôr, então.
A: vou olhar para ti até a lua nascer.
B: se for lua nova?
A: é como se fosse para sempre.
interlúdio primeiro,
começa na ponta dos dedos, como se fosse tecer em ti uma história,
ao som das teclas, das letras dactilografadas com carinho e necessidade de ti.
paremos esta máquina e já agora os relógios e os calendários.
quero tempo para. interrompe-me, preciso. que me assaltes uma vírgula, que me roubes a respiração porque eu me cansei das frases feitas e não tenho a criatividade necessária ou a coragem para te dizer o vulgar e quotidiano gosto de ti como gosto de romances. como se fosses tão pouco de mim como as histórias. quero histórias contigo, embora as contes bem e eu goste de as ouvir na verdade preferia ter histórias contigo. sermos partes das mesmas frases do meu gravador.
dós carnes paralelas. dois corações em equilibrio. duas mãos dadas. falarmos tantas línguas e em nenhuma delas saber dizer que gosto de ti como preciso do silêncio entre nós. que me cansei de te dizer bom dia, boa tarde. de te mandar beijinhos e de falar de arte quando na verdade nada disso é matéria do meu discurso interior. o amor é um lugar estranho. é a zona exacta tua em que os meus olhos pousam devagar. não repares em mim que coro. abraça-me, quero o teu cheiro. como se fosse uma aura em mim e eu a quisesse quisesse com força e, céus, que haja palavras neste mundo. e que elas nos unam com mestria, que eu preciso desesperamente de te fazer uma declaração importante. como nos impostos se faz de rendimentos. eu preciso de declarar por ti o meu amor. que no, que no. dancemos, preciso de te saber a peça certa para o meu 2010 completo. ou a errada. eu sei lá. tenho saudades de ter futuros contigo. os meus dedos roxos, como se me tirasses o sangue em cada recordação. trago a tua voz dentro da minha roupa e o cheiro entre os cabelos. deixei contigo os meus olhos. não mos devolvas, meu amor, para que tenha eu sempre urgência em estar contigo. nem os dedos na tua memória, que havemos de ter uma história por escrever.
ao som das teclas, das letras dactilografadas com carinho e necessidade de ti.
paremos esta máquina e já agora os relógios e os calendários.
quero tempo para. interrompe-me, preciso. que me assaltes uma vírgula, que me roubes a respiração porque eu me cansei das frases feitas e não tenho a criatividade necessária ou a coragem para te dizer o vulgar e quotidiano gosto de ti como gosto de romances. como se fosses tão pouco de mim como as histórias. quero histórias contigo, embora as contes bem e eu goste de as ouvir na verdade preferia ter histórias contigo. sermos partes das mesmas frases do meu gravador.
dós carnes paralelas. dois corações em equilibrio. duas mãos dadas. falarmos tantas línguas e em nenhuma delas saber dizer que gosto de ti como preciso do silêncio entre nós. que me cansei de te dizer bom dia, boa tarde. de te mandar beijinhos e de falar de arte quando na verdade nada disso é matéria do meu discurso interior. o amor é um lugar estranho. é a zona exacta tua em que os meus olhos pousam devagar. não repares em mim que coro. abraça-me, quero o teu cheiro. como se fosse uma aura em mim e eu a quisesse quisesse com força e, céus, que haja palavras neste mundo. e que elas nos unam com mestria, que eu preciso desesperamente de te fazer uma declaração importante. como nos impostos se faz de rendimentos. eu preciso de declarar por ti o meu amor. que no, que no. dancemos, preciso de te saber a peça certa para o meu 2010 completo. ou a errada. eu sei lá. tenho saudades de ter futuros contigo. os meus dedos roxos, como se me tirasses o sangue em cada recordação. trago a tua voz dentro da minha roupa e o cheiro entre os cabelos. deixei contigo os meus olhos. não mos devolvas, meu amor, para que tenha eu sempre urgência em estar contigo. nem os dedos na tua memória, que havemos de ter uma história por escrever.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
ligo-te logo, quando sair
às vezes acontece-me reparar que amanhece cedo, em demasia, dizes tu e as janelas da manhã são ainda húmidas. e hás-de ter os teus motivos, eu não digo que não. mas lamento discordar tão profundamente de ti. quando um dia escrever para ti uma carta hei-de dizer-te que amanhece à hora certa, tal como anoitece à hora certa e da mesma forma como entardece à hora exacta. hei-de arranjar uma forma bonita de te contar que a certeza está em ti e não no tempo. mas agora não posso, que tenho medo.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
há gramática em gostar
A:
primeiro queria dizer-te que gosto de ti,
depois queria esquecer-me.
primeiro queria dizer-te que gosto,
de ti depois queria esquecer-me.
primeiro queria dizer,
depois queria esquecer.
te.
me.
B:
os pronomes são palavras perigosas, já pensaste?
A:
gosto de ti.
B:
não gostes de mim, gosta de quem sou.
A:
gosto do teu nome.
primeiro queria dizer-te que gosto de ti,
depois queria esquecer-me.
primeiro queria dizer-te que gosto,
de ti depois queria esquecer-me.
primeiro queria dizer,
depois queria esquecer.
te.
me.
B:
os pronomes são palavras perigosas, já pensaste?
A:
gosto de ti.
B:
não gostes de mim, gosta de quem sou.
A:
gosto do teu nome.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
atom heart mother
preciso da queda livre dos teus braços
ou do salto sozinha para o teu mundo
do abismo das viagens permanentes entre
os teus dias, sim e os ,não.
quero também a distância difícil entre
os nossos sorrisos.
a estranheza do teu lugar na minha vida,
a indefinição dos dias contigo.
ou do salto sozinha para o teu mundo
do abismo das viagens permanentes entre
os teus dias, sim e os ,não.
quero também a distância difícil entre
os nossos sorrisos.
a estranheza do teu lugar na minha vida,
a indefinição dos dias contigo.
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