começa na ponta dos dedos, como se fosse tecer em ti uma história,
ao som das teclas, das letras dactilografadas com carinho e necessidade de ti.
paremos esta máquina e já agora os relógios e os calendários.
quero tempo para. interrompe-me, preciso. que me assaltes uma vírgula, que me roubes a respiração porque eu me cansei das frases feitas e não tenho a criatividade necessária ou a coragem para te dizer o vulgar e quotidiano gosto de ti como gosto de romances. como se fosses tão pouco de mim como as histórias. quero histórias contigo, embora as contes bem e eu goste de as ouvir na verdade preferia ter histórias contigo. sermos partes das mesmas frases do meu gravador.
dós carnes paralelas. dois corações em equilibrio. duas mãos dadas. falarmos tantas línguas e em nenhuma delas saber dizer que gosto de ti como preciso do silêncio entre nós. que me cansei de te dizer bom dia, boa tarde. de te mandar beijinhos e de falar de arte quando na verdade nada disso é matéria do meu discurso interior. o amor é um lugar estranho. é a zona exacta tua em que os meus olhos pousam devagar. não repares em mim que coro. abraça-me, quero o teu cheiro. como se fosse uma aura em mim e eu a quisesse quisesse com força e, céus, que haja palavras neste mundo. e que elas nos unam com mestria, que eu preciso desesperamente de te fazer uma declaração importante. como nos impostos se faz de rendimentos. eu preciso de declarar por ti o meu amor. que no, que no. dancemos, preciso de te saber a peça certa para o meu 2010 completo. ou a errada. eu sei lá. tenho saudades de ter futuros contigo. os meus dedos roxos, como se me tirasses o sangue em cada recordação. trago a tua voz dentro da minha roupa e o cheiro entre os cabelos. deixei contigo os meus olhos. não mos devolvas, meu amor, para que tenha eu sempre urgência em estar contigo. nem os dedos na tua memória, que havemos de ter uma história por escrever.
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