terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Precoces

E eu em frente de ti fico muda e o meu corpo eu não sei
mas perco a sintaxe, do corpo. Talvez devesse saber melhor,
os lugares de mim. Percebes?

É como quando conheces bem Espanha mas nunca foste sei lá
ao porto. Ou nunca viste o sol nascer no alentejo.

Eu também nunca vi o sol nascer em ti. O reflexo do sol
nos teus olhos. O nascer nos teus olhos. Nunca reparei
quanto tempo demoras a abrir os olhos, de manhã. Nem sei
como, não sei quanto. Tempo. Olha, sabes, nem sei há quanto
tempo gosto de ti.

Não sei o amor. Acontece de manhã.

Eu não uso relógio. Quando é de manhã, eu não sei.

Eu acordo-te. Eu quero ver-te acordar.

2 comentários:

  1. Não usar relógio é das melhores e piores coisas que se pode fazer.
    - Não sabemos do tempo, por isso demora-se mais
    - Mas quando ele passa a correr, não o temos para nos avisar.

    Não gosto de usar relógio, porque assim posso-me perder a ler o blog sem me interessar mais nada. Todo o mundo para mim pára perante a satisfação da leitura destas letras dançarinas em frases bonitas.

    ResponderEliminar
  2. O Sr. Anónimo (que só para nós o é) disse praticamente tudo.
    Sim, não sou original. Mas não gosto de repetir o que foi dito.

    ResponderEliminar