domingo, 22 de novembro de 2009

a dificuldade do verbo

de mim a ti, os corpos, o suor o sangue, o amor entre os dedos, a paixão dos sexos ou do sexo. existirmos como pontes entre nós e sermos este amor que nos une e que me faz perder-me nos sentidos, perder-me dos sentidos,
perder-me como se fosses uma cidade e fazer das tuas veias as ruas do meu sangue, e percorrer-te as estradas com a ponta da língua e desenhar-te mapas e caminhos e atalhos até estar cansada de te percorrer o corpo numa só respiração. encostar o meu ar à tua pele, encostar o meu ar ao teu corpo e ter os meus dedos gelados entre os teus. deixar pegadas na tua pele, deixar pegadas no teu corpo e ter as minhas pestanas entre as tuas. e o meu sorriso entre os teus sonhos e o meu sono entre os teus braços e o teu corpo dentro do meu e o meu coração dentro do teu e a minha vida no teu calendário e o teu chocolate na minha boca e o teu gelado no meu nariz e talvez quem sabe a tua mensagem no meu telemóvel a dizer “bom dia, amo-te”. e os natais juntos, o mesmo pinheiro, a mesma lareira, a minha botinha para ti, a tua para mim, talvez família, não sei, tenho medo. amanhã há-de ser de manhã, mesmo que não seja lá fora, amanhã há-de amanhecer dentro de nós ou em nós, tanto faz é indiferente – tudo é indiferente quando amanhecemos assim. assim como se tivéssemos sido feitos para acordar um no outro. para veres nascer o sol em mim e eu a noite em ti. não sei se tenho medo.
afinal, não tenho medo.
é amor.

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