Nada tenho para te dar,
Nem palavras coloridas para verter no teu silêncio,
Nem o peso dos gestos certos
ou o simples aconchego do olhar.
Possuo apenas o quotidiano dos dias mentais e o vazio dos corpos nas cidades.
- Eu moro a um grito de mim e nem sempre sei chamar-me.
Repito,
A não ser a melancolia deste amor que me faz sorrir-te de manhã e gritar-te às vezes a meio da tarde: não será talvez isto o amor?
- Já pensaste alguma vez que nós é um pronome pequeno demais para cabermos lá eu e tu?
- As letras não se dividem ao meio,
- e eu não posso dar-te metade de mim porque seria demais e se me der inteira,
- ficas sem casa.
- És maior do que eu: perder-me-ia.
- As casas devem ter exactamente do nosso tamanho, porque os lugares vazios são perigosos.
Lia despreocupadamente, quando tropeçou numa frase que o agitou. Mexia com ele à medida que as letras se desenhavam no ecrã [o futuro obriga a trocar palavras quentes como 'o papel' por outras frias 'o ecrã']: "- Eu moro a um grito de mim e nem sempre sei chamar-me." - 'Eishh, c'um caraças' - pensou e balbuciou sussurradamente o pequeno leitor deste blog.
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